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19/07/2009

De onde vem o nome Mangue???


Muito já se falou e escreveu sobre a origem da palavra mangue (ou manguezal) e sobre a origem da palavra mangrove em inglês; quase tudo o que se disse não tem sentido. Esse substantivo coletivo designa um ecossistema formado por uma associação muito especial de animais e plantas que vive na faixa entremarés das costas tropicais baixas, ao longo de estuários, deltas, águas salobras interiores, lagoas e lagunas. O Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (1952) diz que mangue é "palavra de origem obscura", e, de fato, ela não deriva nem do latim nem do árabe. O Grande Dicionário da Lingua Portuguesa dá a definição correta de mangue: "Solos pantanosos à margem de lagoas e estuários; margens pantanosas de rios e portos; mangues são florestas ao longo de rios até o limite superior atingido pela água do mar". Em francês, as árvores de mangue são chamadas de palétuviers, eo dicionário Petit Robert diz que a palavra foi usada pela primeira vez em 1614 e que deriva de appariturier, que, por sua vez deriva da expressão tupi apara-hiwa (árvore torta, onde apará quer dizer árvore). O termo para mangue ou manguezal em tupi-guarani é guaparijitiba ou guaparahyba, onde gua quer dizer baía, pará mar ou grande rio (estuário) e ybá árvore - uma boa descrição de mangues. O mistério foi finalmente resolvido em conversa com o Dr. E.S. Diop, do Senegal, que me disse que, em sua língua materna, o wolof, lingua nacional do Senegal, mangue é como se chamam os manguezais, sendo a pronuncia exatamente igual à do português. Acrescentou o Dr. Diop que os povos dos "rios do Sul" (até Guiné-Bissau, por exemplo, no rio Geba) utilizam a palavra ou manglemangli. Aí está a explicação da palavra espanhola mangle. Nos ultimos anos da década de 1870 foi publicado um Manual para a Conservação das Terras Inúteis, sendo assim chamados os Suderbans, provavelmente a maior área do mundo de manguezais initerruptos, que ocupam os deltas fundidos dos dois grandes rios, o Ganges e o Bramaputra. O Nome, isto é, a Essência e a Forma, começa agora a ser mais bem compreendido através da pesquisa; esperemos que os manguezais do mundo venham a ser usados e gerenciados com mais e melhor critério. Os manguezais têm agora maior probabilidade de ser respeitados pelo que são.
Escrito por Marta Vannucci (Manguezais e Nós, 2002)

11/06/2009

Manguezal do Araçagy - Estudo e Coleta de resíduos

Manguezal do Araçagy - área de estudo e coleta!!!


Biólogo Gustavo Gonsioroski coletando lixo das embarcações de pesca.


Biólogos Gustavo e Adryand, botando quente no serviço. Tudo pela natureza!


Broto da vida. Mangue-vermelho.


Olha o famoso Uçá!


O mangue é lindo...


Uca, pequenos mais com uma função extraordinária!


Lixo, lixo e mais lixo... precisamos preservar!


Biólogos Karla Conde e Gustavo Gonzi.


Caules aéreos, antigamente chamados de raízes escoras!


Encalhe de embarcações devido a intensa sedimentação.


Biólogo Gustavo Gonsioroski fazendo medições de uma arraia.


Casas de pescadores, utilizadas para guardar materiais.


Biólogo Adryand Cesary analisando arraia.

A Fauna do Manguezal

O manguezal é habitado em toda a sua extensão por diversos animais, desde formas microscópicas até grandes peixes, aves, répteis e mamiferos. Alguns deles, nem sempre exclusivos dos manguezais, ocupam o sedimento ou a água, outros as raizes e os troncos, chegando até a copa das árvores, espaço bastante disputado, principalmente no período noturno. Esses animais têm sua origem nos ambientes terrestres, marinho e de água doce; permanecendo no manguezal toda a sua vida como residentes ou apenas parte dela, na condição de semi-residentes, visitantes regulares ou oportunistas. Seja qual for a condição, esses animais estão sempre intimamente associados ao manguezal. A maior parte da fauna do manguezal vem do ambiente marinho, sendo encontrados, dentre outros, grandes quantidades de moluscos, crustáceos e peixes. A água doce contribui principalmente com crustáceos e peixes. Do ambiente terrestre provêm aves, répteis, anfíbios, mamiferos e, alguns insetos. Os animais encontrados nos manguezais podem ser agrupados em função de seu tamanho, como: de tamanho reduzido ou médio e grande porte. Ou então, quanto ao seu hábito de vida, destacando os herbívoros que alimentam-se exclusivamente de material de origem vegetal.




Ecossistema entre a terra e o mar - Yara Schaeffer-Novelli

19/05/2009

Diário de Bordo – Maio, 16 – 2009

Interessante começar o nosso diário com um assunto já bastante colocado por muitos, conscientização ambiental.
No dia 20 de abril estivemos na área do manguezal do Araçagy, precisamente no Porto 400, para efetuarmos mais uma etapa de nossa pesquisa.
É engraçado perceber que as pessoas associam o mangue como depósito de lixo, área fétida, sem nenhuma utilização e esquecem ou ainda não atentaram que o manguezal é uma área de reprodução de muitos animais que servem para o próprio sustento, por ser um ambiente costeiro, de transição entre os ambientes terrestres e marinhos, e que a flora existente também auxilia na deposição de oxigênio no ambiente.
Observamos, em muitas brincadeiras e sérias conversas, que a população local assim como os visitantes não tem a menor idéia do impacto que causam quando descartam seus lixos na área do mangue.
Esse lixo descartado no manguezal pode, nas subidas das marés, ser levado diretamente para o mar, rios, tendo assim uma agressão maior do ambiente e vice-versa, obtendo uma diminuição da fauna como caranguejos, peixes, etc.
A nossa coleta, que levou um dia de muito suor e trabalho, obteve uma quantidade bem significativa de lixo descartável na área, de 20 a 30 kg de sólidos. Lembramos que os descartáveis são de fácil e prática utilização – usar e descartar – contudo essa praticidade não é suficiente quando comparamos o tempo levado para esse degradar no ambiente, 450 a 500 anos.
Aqui o lixo foi a idéia de chamar a atenção para que a poluição e uso irresponsável do manguezal seja observada e reparada de forma rápida.

A conscientização está ligada com a nossa capacidade de conhecer os nossos valores, aprovando ou reprovando os nossos atos, elevando a nossa honra, obter conhecimento.

Karla Conde - Bióloga